CONSOLIDAÇÃO DAS LEIS DO TRABALHO
Decreto-Lei Nº 5.452, de 1º de Maio de 1943.
Artigo 137
Sempre que as férias forem concedidas após o prazo de que trata o art. 134, o empregador pagará em dobro a respectiva remuneração. (Redação dada pelo Decreto-lei nº 1.535, de 13.4.1977)
§ 1º - Vencido o mencionado prazo sem que o empregador tenha concedido as férias, o empregado poderá ajuizar reclamação pedindo a fixação, por sentença, da época de gozo das mesmas. (Incluído pelo Decreto-lei nº 1.535, de 13.4.1977)

§ 2º - A sentença cominará pena diária de 5% (cinco por cento) do salário mínimo da região, devida ao empregado até que seja cumprida. (Incluído pelo Decreto-lei nº 1.535, de 13.4.1977)

§ 3º - Cópia da decisão judicial transitada em julgado será remetida ao órgão local do Ministério do Trabalho, para fins de aplicação da multa de caráter administrativo. (Incluído pelo Decreto-lei nº 1.535, de 13.4.1977)


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Resumo Jurídico

O Direito ao Descanso Sem Prejuízo do Salário: Desvendando o Artigo 137 da CLT

O artigo 137 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) aborda uma questão fundamental para o bem-estar do trabalhador e a dinâmica das relações de emprego: a remuneração em dobro dos períodos de férias quando estas não são concedidas dentro do prazo legalmente estabelecido.

O Que Diz o Artigo 137?

Em essência, o artigo estabelece que, se o empregador não conceder as férias ao empregado no período concessivo (o intervalo de 12 meses após a aquisição do direito às férias), ele deverá pagar as férias em dobro. Isso significa que o trabalhador terá direito a receber, além do salário correspondente ao período de férias, o dobro deste valor como uma forma de compensação pelo descumprimento da obrigação legal por parte do empregador.

Por Que Essa Regra Existe?

A razão por trás dessa penalidade é simples e direta: garantir o direito ao descanso. As férias não são apenas um período de folga, mas um direito fundamental assegurado para a recuperação física e mental do trabalhador, bem como para a sua integração social e familiar. O prazo para a concessão das férias existe justamente para que esse direito seja usufruído em tempo hábil.

Quando o empregador não cumpre com essa obrigação, ele não apenas priva o empregado do seu merecido descanso, mas também desvirtua a finalidade da norma. O pagamento em dobro funciona como um desestímulo para o empregador negligenciar essa responsabilidade e, ao mesmo tempo, repara o prejuízo do trabalhador que foi impedido de gozar suas férias no momento oportuno.

Aspectos Importantes a Considerar:

  • Período Concessivo: É crucial entender o conceito de período concessivo. Ele se inicia após o empregado completar 12 meses de trabalho na empresa (período aquisitivo) e se encerra 12 meses após esse marco. Se as férias não forem concedidas dentro desses 12 meses seguintes ao período aquisitivo, a dobra se torna devida.
  • Pagamento da Dobra: O pagamento em dobro refere-se apenas ao valor do salário correspondente às férias. O adicional de 1/3 constitucional, que é pago sobre o salário das férias, também deve ser pago sobre esse valor dobrado.
  • Interrupção do Contrato: A concessão das férias, mesmo que em atraso, interrompe a contagem do período concessivo, mas não o direito à dobra se este já foi adquirido pelo descumprimento original.
  • Ausência de Concessão vs. Concessão Irregular: O artigo se aplica à ausência de concessão das férias dentro do prazo. Se as férias forem concedidas, mas de forma irregular (por exemplo, sem o pagamento antecipado ou sem o gozo efetivo), outras disposições legais podem ser aplicáveis, mas o cerne do artigo 137 é a falta de concessão dentro do período.
  • Provas: Em caso de litígio, o trabalhador precisará comprovar a não concessão das férias no período correto, o que pode ser feito através de holerites, acordos, testemunhas, entre outros meios de prova.

Em Resumo:

O artigo 137 da CLT é um dispositivo protetivo que visa assegurar o direito do trabalhador ao descanso anual remunerado. Ao prever o pagamento em dobro das férias não concedidas no prazo legal, o legislador busca coibir o descaso do empregador com essa obrigação e garantir que o descanso, essencial para a saúde e produtividade, seja efetivamente usufruído. O conhecimento deste artigo é fundamental para que empregados e empregadores estejam cientes de seus direitos e deveres.